Como abrir uma empresa com medo e não esperar estar pronta
Shemariah Guimarães não abriu a ITS Company quando se sentiu pronta. Abriu com medo — e foi o medo que o seu mentor reconheceu como o único sinal de que ela estava levando aquela decisão a sério.
Shemariah Guimarães vinha do comércio exterior há anos — importação, exportação, consultoria internacional — quando começou a notar um padrão que a incomodava: empresas com projetos internacionais reais, mas processos travados, burocracia acumulada e nenhuma estrutura capaz de fazer o que precisava ser feito andar. Aquele incômodo virou propósito. O propósito virou a ITS Company — cujo nome, International Trade Synergy, já carrega a premissa de tudo que ela construiu: ninguém chega longe operando sozinho.
A fundação não foi uma decisão confortável. Quando Shemariah mencionou pela primeira vez que queria abrir uma trading company, seu futuro sócio a encorajou. Meses depois, ao cruzarem após uma reunião, ele perguntou de forma direta: "E aí, abriu a empresa?" Ela ficou em silêncio. Ele perguntou se era medo. Ela confirmou. E a resposta que veio — e que ficou gravada — foi: "Que bom que você tá com medo. Se você não tivesse com medo, eu ia te achar uma irresponsável." A empresa foi aberta. Hoje, oito pessoas dependem dela.
No primeiro ano, Shemariah fez cinco cursos enquanto estruturava a operação — sem abrir mão da vida pessoal, do relacionamento nem dos compromissos que já existiam antes do negócio. A rotina era intensa porque precisava ser. Quebrar a inércia inicial de qualquer empresa exige presença total, e ela não romantizou isso. O que ficou claro nesse período é que aquele ritmo não é a descrição permanente do negócio: é o preço da fundação, não a condição de operação em maturidade.
"Que bom que você tá com medo — se você não tivesse com medo, eu ia te achar uma irresponsável."
Um dos maiores desafios foi construir credibilidade sendo mulher à frente de uma empresa nova, especialmente num setor onde a confiança é condição operacional — a ITS atua muitas vezes como procuração dos seus clientes, conduzindo projetos internacionais em nome deles. Shemariah entendeu que separar marca pessoal de marca corporativa não era uma opção real. Quem contrata a ITS está, antes, contratando a Shemariah. Ética, transparência, integridade — os valores da empresa são os dela não porque foram escritos num documento, mas porque não existe outra fonte possível para eles. "A empresa é aquilo que você é" não é uma frase filosófica: é uma decisão operacional com consequências práticas todos os dias.
Expandir para um time trouxe um desafio diferente: repassar essa cultura sem diluí-la. Shemariah adotou como critério de contratação a proximidade de valores — porque valores, na sua visão, não se ensinam, vêm da essência da pessoa. A prova de que isso funcionou aparece nos detalhes: um grupo de atividade física com a logo da empresa surgiu espontaneamente entre os colaboradores, sem que ela tivesse pedido. Quando uma cultura está bem plantada, ela germina sem precisar ser regada toda hora.
O que a história da Shemariah ensina sobre posicionamento e marca pessoal
A trajetória da Shemariah é um estudo de caso do pilar de Marketing do Método BO$$, especificamente no que toca posicionamento e marca pessoal. A ITS Company só existe como empresa de alta confiança porque ela entendeu cedo o que muitas empresárias levam anos para aceitar: imagem pessoal e imagem corporativa não são mundos separáveis. Quem tenta construir autoridade de marca sem trabalhar quem é como pessoa está construindo sobre areia — e a hora em que o mercado testa essa fundação, a rachadura aparece.
É exatamente esse trabalho de posicionamento — saber quem você é, o que você representa e como isso se projeta no mercado — que a Foco Nelas desenvolve com as empresárias dentro do O Poder da BOSS. A história da Shemariah mostra que não se trata de exposição excessiva nem de performance de rede social: trata-se de coerência entre quem você é e o que sua empresa entrega. Quando essa coerência existe, a credibilidade não precisa ser vendida. Ela é percebida.
Sua empresa já funciona. E a liderança dela?
Se a coerência entre quem você é e o que sua empresa entrega ainda não está clara, é aí que o posicionamento trava o crescimento. Vamos conversar sobre o momento da sua empresa.
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